Meu segundo artigo

Outro artigo, desta vez com foco nos aspectos religiosos, vai ser publicado no jornal Vida Paroquial, da Paróquia de São Sebastião de Espera Feliz: Um católico na Índia Há cerca de um mês visitei a Índia, como membro de um programa de inte…

Outro artigo, desta vez com foco nos aspectos religiosos, vai ser publicado no jornal Vida Paroquial, da Paróquia de São Sebastião de Espera Feliz:

Um católico na Índia

Há cerca de um mês visitei a Índia, como membro de um programa de intercâmbio promovido pelo Rotary International. Lá conheci uma pessoa, de quem me tornei grande amigo. Fiquei hospedado em sua casa por uma semana, e ele me contou que estudou em colégios católicos, foi membro da ACM, Associação Cristã de Moços, e hoje é membro da Y’s Men, uma organização internacional que representa os ideais cristãos. Há alguns anos ele visitou, com sua esposa, o Vaticano, e os dois até receberam uma bênção especial do Papa.

O surpreendente nessa história é que esse senhor, chamado Venkata Rao, e sua esposa, a Srª Krishnakumari, não são católicos, mas sim hindus, como a maioria dos indianos.
Ele me emprestou alguns livros que falam sobre o hinduísmo, durante a semana em que convivemos para que, se eu me interessasse, aprendesse um pouco sobre a religião dele. A princípio olhei com estranheza para a oferta. Afinal sou católico, para que iria ler sobre uma religião que não professo? A resposta veio na contracapa do primeiro livro que ele me entregou, escrito por um filósofo hindu, chamado Swami Vivekananda:

“Se eu desejo que um Cristão se torne Hindu? Deus me livre. Se eu desejo que um Hindu ou Budista se torne Cristão? Deus me livre.O Cristão não deve se tornar Hindu ou Budista, nem um Hindu ou Budista se tornar Cristão. Mas cada um deve assimilar a essência do outro e ainda assim preservar sua individualidade e crescer de acordo com sua própria lei de crescimento.”

Essa postura de aceitação do outro, e da fé que o outro tem, é algo constante nos indianos. Ninguém tenta te convencer a seguir outra religião. Em uma conversa com outro indiano, ouvi a opinião dele a respeito da conversão. Ele disse que discorda de pessoas que se convertem a outras religiões, pois, para ele, é a religião dos seus pais que deve ser a sua religião, afinal Deus te fez nascer naquela família. Ele também me apresentou um jeito curioso de pensar: “se Deus não quisesse mais hindus no mundo, não nasceriam mais crianças em famílias hindus”.

Visitei mais de dez cidades da Índia. Em uma delas, conversei com um senhor que me contou ter visitado várias igrejas belíssimas na Itália, na França, e que pôde admirar a arte que lá existia, sem ter se convertido ao catolicismo. Foi com esse mesmo pensamento que pude conhecer a cultura de um povo que pensa diferente, ora diferente, crê em coisas diferentes, mas que, no fim das contas, também busca a paz e a luz.

Enquanto estive lá, observei o povo demonstrando sua fé em templos dedicados aos muitos deuses nos quais eles acreditam, e convivi com pessoas que sabem da existência de Jesus Cristo, mas não o reconhecem como Salvador. Mas em vez de me fechar e tentar impor minha crença, me abri. Me tornei um hindu? Não. Converti hindus? Não. Mas pude praticar constantemente o mandamento “ama o teu próximo como a ti mesmo”, aderindo ao mesmo respeito com que me trataram.

Meu artigo sobre a Índia

Um artigo meu sobre a minha viagem foi publicado na edição deste mês do jornal O Esperafelicense: Na Índia, tal qual os indianos Quando alguém sente que tudo está diferente ao seu redor, diz que o mundo está de cabeça para baixo. Durante u…

Um artigo meu sobre a minha viagem foi publicado na edição deste mês do jornal O Esperafelicense:

Na Índia, tal qual os indianos

Quando alguém sente que tudo está diferente ao seu redor, diz que o mundo está de cabeça para baixo. Durante um mês, meu mundo esteve virado do avesso! Viajei para a Índia como membro de um programa de intercâmbio do Rotary International, chamado IGE, Intercâmbio de Grupos de Estudo. O objetivo do intercâmbio é compartilhar experiência profissional. Como professor de inglês e empresário, representando a American House, fui para conhecer escolas de inglês e métodos diferentes de ensino do idioma. Meus companheiros (um advogado, um professor de direito, um engenheiro de manutenção e um dentista), da mesma forma, conheceram outros profissionais em suas áreas de atuação. Mas muito mais que profissionalmente, a viagem me trouxe experiências pessoais de um valor incalculável.
Antes da viagem, procurei ler a respeito da Índia, para tentar me preparar para o que poderia encontrar lá. Mas depois de chegar na primeira cidade em que ficamos, começamos a desmistificar vários conceitos, com a ajuda de nossos anfitriões (hosts). Neste programa de intercâmbio, os participantes não ficam em hotéis, mas sim nas casas dos rotarianos, o que permite que se conheça a fundo os costumes do país que se visita. Existe, por exemplo, o fato de que lá não se usa talheres, exceto para tomar sopa. E existe, também, o mito de que não se usa a mão esquerda nas refeições, pois ela é impura para eles. Já no primeiro dia, no jantar, me serviram um pão, parecido com uma panqueca. Sem talheres, eu não iria comer tudo de uma mordida só. No auge do constrangimento, sem saber o que fazer, meu host deu uma risada e disse: “Usa a outra mão!”. Primeiro mito, de muitos, derrubado!
Ouve-se falar também sobre a submissão feminina na Índia, e como as mulheres não são consideradas importantes. Este mito quase se comprovou quando, nas casas, a mulher só comia depois que o marido terminava o almoço. Mas o mito começou a se desfazer quando chegamos aos tribunais de justiça para interagir com os juízes e advogados, e encontramos várias juízas e advogadas trabalhando.
De uma forma geral, passamos a viagem aprendendo a não subestimar pessoas ou situações por causa de preconceitos que tínhamos. E dessa forma, encarando tudo com coração aberto, fizemos grandes amizades. Vivemos momentos muito especiais e aprendemos também sobre o respeito com que o indiano trata outras religiões.
Entre hindus, mulçumanos, budistas, sikhs, jainistas, cristãos e vários outros, existe uma convivência pacífica, respeitosa e admirável. Ninguém entra em conflito por ser de uma religião diferente. O país consegue encontrar “Unidade na Diversidade”. Esta frase é inclusive usada para descrever a Índia, e definitivamente traduz o que se vê por lá.
Depois de um mês de viagem, já estávamos até adquirindo certos hábitos indianos. Aquele movimento de cabeça para concordar com as coisas, o hábito instantâneo de tirar sapatos antes de entrar nas casas e templos, o costume de não apertar a mão das pessoas ao cumprimentá-las, mas sim dizer “Namaste”, já eram coisas naturais para nós.
O objetivo do programa, como disse, é profissional, mas a interação entre os povos fomenta o entendimento de diferentes culturas, o que consequentemente leva à paz. Durante 30 dias fomos representantes do Brasil, como embaixadores da paz e da boa vontade. Durante 30 dias, em maio próximo, um grupo de cinco indianos da mesma região que visitamos virá para o Brasil para conhecer nossa terra, e da mesma forma levar novas experiências para a Índia.
Agradeço ao Rotary International pela oportunidade e ao Rotary Club de Espera Feliz pela indicação para participar desse programa tão rico de experiências culturais e de vida.