E foi

– Senta aqui, eu volto agora.

– Mas onde você vai?

– Senta aqui, menino. Fica quieto aqui e não sai do lugar, eu volto agora.

– Eu quero ir também!

– Não sai daqui! Se alguém perguntar se você tá sozinho aqui, fala que não. Melhor ainda, não fala nada. Não conversa com ninguém.

– Mas eu vou ficar fazendo o quê?

– Toma esse papel, desenha aí.

– Eu não quero desenhar.

– Então não faz nada. Mas fica aqui.

– Mas e se você não voltar?

– Larga de ser bobo, menino. Espera aqui, já volto.

– Por que eu não posso ir?

– Por que lá não é lugar pra criança.

– Droga.

– Já volto. Tá?

– Tá.

Tá.

– Tá fazendo o quê aí sozinho, menino?

– Tô sozinho, não.

– Tá não. Tá com quem então?

E continuou colorindo.

– Fala, menino, tá com quem?

Silêncio.

– Anda, menino, tô te perguntando!

E lágrimas.

– Tô falando? – perguntou irritado para si mesmo. – Tem três dias que tô te vendo todo dia aqui, menino. Pede um salgado pra um, troca de lugar, pede outra coisa pra outro, some de noite, de dia tá aí, sentado nesse banco.

E soluços.

– Vou chamar é o conselho de menor.

– Eu não tô sozinho! – gritou, querendo acreditar no que dizia.

– Tá não. Eu que tô. Vem comigo. – disse pegando o pequeno pelo braço.

Que não resistiu, e foi.

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