Ao sabor do vento

Ao sabor do vento

Acreditas, vejas só, que roubo tuas borboletas.
Acreditas, também, que meu jardim não é digno delas.
Acreditas, inocente, que somente um jardim deveria haver.

Ressentes-te a cada flor diferente,
a cada novo pássaro que resolve aqui aninhar-se.
Desejas que não haja nascente,
que em minhas terras seja sempre cortante inverno.

Sei, vejas bem, que há terras ainda não cultivadas,
tampouco reivindicadas.
Sei, também, que não haverá de ser teu rancor
o que tornará meu solo infecundo.
Sei, consciente, que somente com meu
jardim devo me ocupar.

Pois se tuas borboletas em meus arbustos vêm pousar,
É por que vieram, ao sabor do vento,
conforto encontrar.