Apocalipse por encomenda

Então, um dia, alguém estava analisando um calendário Maia e chegou conclusão de que o mundo acabaria em 2012. Com precisão suficiente para, inclusive, dizer o dia do juízo final. Teorias contrárias surgiram dando conta de que na verdade…

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Então, um dia, alguém estava analisando um calendário Maia e chegou à conclusão de que o mundo acabaria em 2012. Com precisão suficiente para, inclusive, dizer o dia do juízo final. Teorias contrárias surgiram dando conta de que na verdade o calendário indicava apenas o fim de um ciclo, que não necessariamente representava o fim da humanidade.

Mas, para os entusiastas do fim do mundo, mais uma previsão era sempre algo feliz de se ouvir. Aquela emoção do réveillon de 99, aquela aflição gostosa em 11/11/11, às 11 horas e 10 minutos,… enfim, essas pequenas alegrias estavam prestes a retornar.

Pessoalmente, não acredito numa data predefinida. Não vou dizer no que acredito, mas definir o que não, acaba delineando o que sim.

Hoje, porém, um pensamento me tomou de assalto.

A data esta lá, dita aos quatro ventos por todos aqueles que estão ansiosos por uma confirmação da previsão primitiva. Daí chega dezembro e, no dia marcado nada acontece. Ponto negativo pros Maias.

Por outro lado, imagine que algum psicótico, neurótico, louco, desequilibrado, e com acesso aos contatos certos, se disponha a cumprir a profecia. Imagine que o psicopata tenha amigos que trabalhem no LHC, ou então que tenha parceiros no oriente médio, ou ainda que conheça alguém que conheça alguém que possa conhecer alguém com acesso a alguém que trabalhe próximo a uma usina nuclear. Ou que tenha um dedo no governo de alguma potência com um potencial bélico daqueles bem impressionantes. Quando imagino esse maluco, não o imagino maluco internado numa clínica. O imagino maluco daqueles que deram certo na vida. Daqueles dos quais ninguém desconfia. Um Eike Batista com um pino a menos, sei lá.

E então, de posse de uma data hipotética, marcada numa pedra por uma civilização que nem existe mais, que só rastros deixou, o maluco decide, por conta própria, instaurar a destruição em massa.

Os Maias teriam então previsto o maluco?

Ou os Maias, estando errados, acabaram certos, com uma das maiores ações de marketing viral da história da humanidade?

O fato é que nenhum deles estará por aí pra falar: “Eu disse! Era hoje mesmo!”. E nenhum de nós estará lá para dizer “É, acabou”.

Apocalipse-nuclear

2 comentários em “Apocalipse por encomenda”

  1. Muito legal, cara. De vez em quando me pego pensando exatamente desse jeito… uma profecia que alguém resolve cumprir por conta própria.Eu não tenho a menos dúvida de que o mundo NÃO vai acabar. Mas… cada um na sua, né?Abração.

  2. Acho mesmo é que faltou espaço na pedra onde marcaram o calendário e povo, que adora um sofrimento, desencadeou uma série de raciocínios. Vão esperar um final que nunca vai chegar, pelo menos, não do jeito que esperam. Mas tal LHC mete medo sim.

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