Um novo começo

Os primeiros raios de luz atrás das montanha anunciavam que o tempo havia se esgotado. Comte sentia dor e isso o deixava feliz. Sentir agora, seja dor ou o que fosse, significava ter sobrevivido. Do emissor nada havia sobrado. Anne, Airtom e Clar…

Os primeiros raios de luz atrás das montanha anunciavam que o tempo havia se esgotado. Comte sentia dor e isso o deixava feliz. Sentir agora, seja dor ou o que fosse, significava ter sobrevivido. Do emissor nada havia sobrado. Anne, Airtom e Clarêncio estavam caídos, e não era possível saber, daquela distância, se ainda respiravam. Comte tateou o chão procurando o comunicador. Também poderia haver sobreviventes na parte norte da cidade.

– Comte chamando! Comte chamando! Alguém na escuta?

Apenas um chiado podia ser ouvido. Alguns instantes depois, Comte pôde ouvir o que parecia ser a respiração de alguém.

– Comte chamando! Quem está aí?

Quase inaudível, veio a resposta:

– Renato… Todos os outros estão mortos… Acho que também estou morrendo.

– Aguente firme, Renato. Me dê sua localização e vamos até aí.

– Estou na igreja.

Comte não entendeu. Ele estava em frente à igreja. Antes da ativação do emissor, porém, Renato e o resto do segundo grupo estavam a pelo menos 5 kilômetros dali.

Comte conseguiu se levantar e chegar até os outros. Airtom e Clarêncio estavam mortos, seus corpos com queimaduras severas causadas pela ação do emissor. Anne, longe alguns metros, respirava com dificuldades.

– Anne! Anne! Estamos vivos!

– Não consigo mover minhas pernas.

– Agarre-se no meu pescoço, vou te levar para a Igreja. Renato já está lá.

– Mas eles estavam na parte norte!

– Eu sei. Vamos saber dele o que houve.

Comte mal conseguia se sustentar, mas reuniu suas forças e ergueu Anne, levando-a para dentro da igreja. Pelos escombros não era possível ver muito, e não havia luz natural suficiente para permitir ver onde estava Renato. Comte gritou chamando, mas não obteve resposta. Neste momento seu comunicador começou a chiar, e ele ouviu o que pareciam ser pedidos de socorro.

– São o Airtom e o Clarêncio! – disse Anne.

– Eles estão mortos. Renato me disse que os outros também estavam.